domingo, 9 de outubro de 2011

Não somos nós que precisamos nos encaixar no mundo.

O mundo, os objetos e as pessoas que se enquadram em nossa vida, de acordo com aquilo que temos dentro de si e que podemos oferecer.

Na tentativa de satisfazermos nossos desejos, nos enganamos e oferecemos ilusões. E recebemos em troca ilusões.

Procuramos nos encaixar falsamente nas expectativas dos outros, e esquecemos que se vivêssemos a vida com os instrumentos que temos, a experiência que adquirimos, teríamos uma pequeníssima amostra do que as pessoas imaginam ser a felicidade.

Mas, voltando... Se nós não precisamos nos encaixar no mundo, as pessoas também não precisam. Essa busca por aprovação, na experiência dos anos poderia comprovar que é inútil. O que é útil, no caso, é a interação que deveríamos ter com o mundo e as pessoas.

domingo, 21 de agosto de 2011

Uma questão de ponto de vista...


"A Visão do Cristo que tu vês
É a maior inimiga da minha visão.
A tua tem um grande nariz adunco como o teu,
A minha tem um nariz redondo como o meu.
A tua é a do Amigo da Humanidade;
A minha fala em parábolas aos cegos:
A tua ama o mesmo mundo que a minha odeia;
As portas do teu céu são os portões do meu inferno.
Sócrates ensinava o que Meletus
Detestava como a mais amarga Maldição de uma Nação,
E Caifás era em sua própria Opinião
Um benfeitor da Humanidade:
Ambos lemos a Bíblia noite e dia,
Mas tu lês negro onde eu leio branco."
(William Blake)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Tudo segue a Lei da Natureza: Tudo o que você dá, você recebe...

...tudo o que você recebe, você dá na mesma proporção, de acordo com a utilidade ou inutilidade de nossas ações ou escolhas.

E tudo está tão interligado que é complicado saber o que é consequência ou causa em uma ação e reação.

Nossas próprias escolhas, na maioria das vezes, não passam de reações às escolhas dos outros ou dos acontecimentos que nos afetam.

É como se fôssemos apenas bolas de bilhar chocando-se umas com as outras.

Além disso, há alguma escolha ou ação nossa que não tenhamos expectativa de um retorno, mesmo que esta seja velada? Dificilmente, são raríssimas.

E naquelas em que somos "altruístas", mesmo nessas esperamos algum retorno. Porém, como não temos dimensão do tempo e do espaço em que nossas escolhas renderão os frutos desejados, fazemos novas escolhas que alteram o curso das primeiras, com a intenção de acelerar este processo, e assim, colhemos resultados inferiores aos que nos propomos de início. 

Logicamente, há chances de acertar, mas a experiência observada no comportamento e atitudes humanas levam a ter o pensamento exposto acima, principalmente por conta de nossa ignorância das Leis.

Se nós agimos para a nossa utilidade, sem contar os outros ou o mundo em que vivemos, teremos como consequência um retorno pífio, baseado e circunscrito à proporção de nosso desejo que, por material, é passageiro e passível de diversas repetições e esforços primitivos para perdurar um estado emocional de plena alegria (ilusional, pois é perecível).

Se nós agimos, tendo em conta as "três pontas desse triângulo", somos impelidos a largar mão da possessividade instintiva e que nos dá aquela falsa segurança que somos algo especial, centro do Universo e etc.

Porém, neste último caso, ganhamos coesão e nos percebemos como parte de um sistema inteligado e cooperativo. Ganhamos utilidade e finalidade. Não estamos mais sozinhos em nossa individualidade, brigando com todos e com o mundo na busca da satisfação de desejos ilusórios.

Aliás, usamos de nossa individualidade, de nossa força para o progresso mútuo dessa "tríade". E a recompensa, neste ponto de vista, seria muito mais rápida que aquela que é produzida somente com vistas à satisfação pessoal.

Por fim, o útil só o é quando tem a intenção o coletivo. Tudo fora disto é inutilidade.
Então, tudo o que você dá com a expectativa de satisfação pessoal e egoísta, você recebe: inutilidade e ilusão.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Modelo de Kübler-Ross


É uma explicação sobre os cinco estágios que um indivíduo pode passar ao se deparar com uma situação de perda (seja qual for) e mais comum em casos de doenças que levariam este à morte física.

Eu particularmente, costumo ampliar o alcance deste modelo para várias situações em que nós passamos por um perigo de "perda", seja um problema financeiro ou amoroso.

Foi proposto por Elizabeth Kübler-Ross em sua obra "On Death and Dying". É bastante interessante:

Estágio 1 - NEGAÇÃO

A pessoa nega que esteja passando por um determinado problema (uma doença, por exemplo) e funciona como um mecanismo de defesa para afastar a dor da perda ou do perigo. A duração deste estágio depende do quanto a pessoa e quem estiver à sua volta consegue lidar com esse problema. É uma fase de isolamento e negação. No caso de doença, o indivíduo nega que esteja doente e esconde isso dos outros. Em outros casos, nega-se que haja algo errado e evita-se falar sobre o assunto.

Estágio 2 - RAIVA

Quando a pessoa já é incapaz de esconder e negar sua condição, surge a raiva, a revolta, a inveja e o ressentimento. O problema torna-se maior e a capacidade de compreensão é anulada. O ambiente, as pessoas e a própria pessoa são agredidas. Pergunta-se: por que isso está acontecendo comigo e não com o outro?

Estágio 3 - BARGANHA

As duas fases anteriores não foram capazes de explicar ou mesmo resolver o problema. A pessoa apela para um poder maior ou para a fé (no caso de doença). Ou seja, se a pessoa pede à Deus uma cura, ela irá oferecer algo como uma promessa de mudança de vida e de valores. Em outros casos, pode-se barganhar uma mudança súbita de comportamento para que se adie ou elimine o perigo eminente de perda (como por exemplo, para adiar ou reverter um fim de relacionamento). Nesta fase, não há raiva ou agressão porque a pessoa não pode ter uma reação hostil e ao mesmo tempo, pedir um favor. Seria contraditório.

Estágio 4 - DEPRESSÃO

Quando a pessoa percebe que a negação do problema não trouxe a solução, e a agressividade e a barganha também não, a tristeza e a impotência surge. A pessoa toma consciência de sua situação e sabe que é inútil resistir à perda. Não há formas de eliminar ou adiar o fim, mas ainda lamenta e sente o sofrimento da realidade descoberta.

Estágio 5 - ACEITAÇÃO

Nesta última fase, o indivíduo não está mais triste e não nega sua condição. Aceita o fim, aceita a perda e deixa que a Natureza siga seu curso. No caso de doença, a pessoa vive seus últimos momentos em serenidade. Nos outros casos, a perda e o fim de algo é o princípio de novas oportunidades e experiências. O resultado (a perda ou o fim) não depende exclusivamente de nossos desejos, mas consequência natural de nossas escolhas, experiências, etc.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Afinidade por Arthur da Távola


"A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
O mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.

É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.

Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.

A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos,
veremos ou falaremos.

Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?

A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.

Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.

Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado."

Extraído do site: http://pensador.uol.com.br/

Desejos, decisões e outras coisas...


Por medo ou ignorância, somos capazes de escolher o mais "seguro". Porém, nem sempre o mais "seguro" é a escolha mais correta.

Essa sensação de segurança e de controle faz, às vezes, que nós tomemos decisões que trarão consequências um tanto inseguras.

Digo isso porque ao procurar o caminho mais fácil, estaremos nos desviando dos nossos verdadeiros desejos e aspirações. Por isso, sofremos.

O que me remete ao seguinte pensamento: nenhuma escolha é necessariamente segura. Tudo tem seu grau de risco. No entanto, se tentamos satisfazer um desejo, de forma incompleta, porque imaginamos que sofreríamos menos, e sem pensar que ao fazer isso, estamos nos afastando dessa satisfação, a possibilidade de insucesso se torna muito maior.

Por outro lado, talvez a resposta esteja em não só tentar prever os resultados nefastos, mas sim, procurar manter o foco no que estamos realmente desejando. E logicamente, eu estou me referindo aos desejos úteis e não fúteis que nos permeiam.

Concentramo-nos tanto no pensamento que esquecemos que o sentimento é a chave. O pensamento apenas é sentimento processado para nosso entendimento. Esse entendimento, essa percepção é que nos direciona para que tenhamos condições de tomar um rumo mais acertado na vida.

Ao invés de desejarmos algo sem reflexão, sem entendimento, que possamos pensar seriamente sobre nossos desejos, e só neste momento, aplicarmos nossa vontade e nossa ação.

Contudo, não podemos nos iludir: viver é um risco. Cabe a nós, porém, o sentir, o desejar, o pensar correto, e por consequência, o viver (agir) corretamente.

E no final, percebo que nós somos seres criados para o trabalho. Não obtemos nada sem esforço. Basta somente que saibamos direcionar nossa força para o lado ideal. Assim como nossos sentimentos e desejos.

domingo, 30 de janeiro de 2011

"Ciclos" por Içami Tiba

Feliz texto divulgado por @FeCris:


"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos... Fechando portas... Terminando capítulos...

Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

O que passou não voltará!

Não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma relação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante (por mais que doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar livros que tem. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que reconheçam o seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.

Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre o mesmo programa que mostra como você sofreu com determinada perda!

Isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta.

Mude o disco.

Limpe a casa.

Sacuda a poeira.

Deixe de ser quem você ERA, e se transforme em quem você É..."