Minhas novas experiências me fazem pensar do por quê da minha situação atual. São os compromissos assumidos com as outras pessoas. Se fosse por mim, hoje, eu estaria em outra situação.
É a ação e reação. Causa e consequência. Nossa imaturidade passada, nossa ignorância pretérita é que nos envolve na escravidão. Uma escravidão escolhida, logicamente.
Assumimos compromissos e sentimos o dever da responsabilidade. O ato de renunciar ao egoísmo e pensar no outro porque imaginamos que nesta renúncia está a chave para a felicidade.
O fato mais aterrador é o exagero que nos propomos quando não estamos conscientes do que ocorre à nossa volta. O excesso mais nocivo é quando deixamos de viver nossa vida para consertar a vida alheia. E no final, não vivemos e não consertamos nada!
Contudo, quando tentamos reverter nossas escolhas, nos deparamos com algumas afirmações:
- se optamos pela total ruptura de nossa responsabilidade pelos compromissos assumidos, estaremos sendo injustos com os outros. Invertendo a situação, não gostaríamos que ninguém fizesse isso conosco.
- se atravessarmos e cumprirmos nossos compromissos até o final, poderíamos realizar novas escolhas que nos colocasse no rumo que queremos em nossa maturidade (ou imaturidade) presente.
Assim, temos a dicotomia covardia-coragem.
Mas, voltando: o egoísmo, por outro lado, leva o ser para uma conduta anti-social e está na contramão do desenvolvimento do ser. É um retorno à animalidade ou ao estado de natureza.
Já o altruísmo é a ideia em que os seres inteligentes se servem para entrar no verdadeiro estado de sociedade.
O problema sempre é o excesso? No egoísmo, sim. No altruísmo não reconheço excesso.
A confusão ocasionada no exercício do altruísmo é que, na verdade, não conseguimos ainda prescindir dos nossos desejos em benefício do outro.
Mas, no início, eu afirmei que a escravidão a que nos submetemos é decorrente daquele exercício de desprendimento de nossos desejos. Pensando melhor, é porque na realidade não estamos sendo altruístas. Sempre estamos esperando uma contrapartida, uma recompensa por nossa "bondade". Estamos sendo, assim, egoístas.
Por fim, fingimos que estamos beneficiando o outro, quando na verdade, todas as nossas ações se voltam para nosso próprio benefício. A verdadeira rede de relacionamento é de troca. Permutamos sentimentos, impressões, pensamentos, objetos, sensações, etc.
Quando vamos entender que tudo neste Universo não nos pertence e só temos posse de nossa essência?
E que ao tomar posse do que não nos pertence em realidade é que nos torna escravos?