terça-feira, 31 de agosto de 2010

O outro lado


Eu nunca estive do outro lado.
Que lado?
Do lado da vidraça.
Hoje, eu sou vidraça.

É uma sensação ímpar de ser julgado.
Sensação de indignação e falta de defesa.

Nunca estive do lado selvagem dos olhares reprovadores.
Interessante é a sensação de ser ridicularizado. Aliás, já fui, mas por brincadeira e aceitável pela esportividade. Nunca pela maldade.

Mais interessante é que quando eu era o juiz, eu sempre criticava visando a mudança.
No meu caso, parece que estão me afundando a cabeça na areia.

Esta será uma impressão duradoura e reveladora. Daquela que faz você refletir: fora do aquário, é a lei do mais forte.

Descubro a cada momento que ser emocional eu sou.
O desafio é lidar a cada minuto com essas ondas maremóticas que invadem meu porto seguro.

Até que ponto isso pode me fazer mais forte?
Ainda não tenho a resposta.



domingo, 29 de agosto de 2010

O que pode ser substituído


Hoje, eu estou me dando conta que meu computador, depois de quase sete anos, está moribundo.

Há coisas que quando quebram, podemos substituir se não podem mais ser consertadas.
Os objetos são assim. Alguns sentimentos, provavelmente, também.

E pessoas? Pessoas quebram? Não. Pessoas se magoam. Isso acontece porque não há um entendimento, uma comunicação eficaz entre elas. Esta interação é que pode ser consertada.

Mas, e o que ficou de ruído na comunicação das pessoas no passado? E que gerou situações e lembranças desagradáveis?

A memória é um grande aliado, mas pode ser um grande inimigo também. Por isso, que eu adotei a prática sistemática de esquecer. Substituir todo passado ruim seja como agente, como paciente.
Esqueço tudo!

E os momentos bons? Também. Não podemos viver da contemplação sistemática. Reviver? Não!
Quero viver o presente em substituição ao passado. O que foi, foi, como dizem. Por isso, esqueça!

Assim, substitua coisas, sentimentos ruins, atitudes ruins e principalmente, esqueça: morremos ao deitar e renascemos quando acordamos.

sábado, 28 de agosto de 2010

Velhos problemas, velhas soluções


Creio que eu faço parte de uma seleta nata de seres humanos que apesar de saber as respostas para as mais variadas perguntas da vida, insiste em continuar alimentando suas dúvidas.

Profissionalmente, eu sou muito "cristão". Sinto pena das pessoas e procuro ajudá-las no máximo. Então, eu percebo que eu mesmo não me ajudo com essas atitudes. Deixo me prejudicar em detrimento do outro. Solução: deixar que os outros resolvam seus próprios problemas, para que eu possa resolver os meus. Fácil de bradar, difícil de implantar. É um exercício diário...

Na vida pessoal, os mesmos dilemas. Confiança e exigência na escolha das companhias. Já deixei muitas pessoas bacanas passarem por minha vida e por puro medo de me relacionar. Solução: arriscar mais e aproveitar o momento. Primeiro se envolver, para depois escanear a mente do ser amado. Muitos defeitos são mais aceitáveis quando estamos realmente envolvidos.

Já me aconselharam que eu deveria deixar as coisas acontecerem e que é melhor qualquer pessoa (não no sentido ordinário) que alguém extremamente idealizado. Pode ser verdade e estou me convencendo disso.

Aí, eu me pego assistindo um filme como "Amor Sem Escalas", em que o personagem de George Clooney, um solitário "demitidor" resolve finalmente se envolver e... Ele se ferra!

Bem, de um lado, se estou bastante convencido que eu devo ser mais racional no trabalho, fico cada vez mais confuso em relação aos sentimentos em minha vida pessoal.

Se no primeiro, posso ter o controle, no segundo, eu não tenho a mesma segurança ainda.
Talvez, a única análise deva separar quem é ordinário e conhecer o restante sem ser tão severo.

Aliás, tenho que ser menos severo comigo também...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Limbo


Como se diz?

No final do filme, são apenas os créditos...

E na próxima sessão, outra história, outros momentos.

Uma hora, um drama, uma tragédia, uma comédia, um suspense, um terror, um romance...

E a realidade?

No momento, só ficção.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sem título


Por mais que eu negue, os sonhos me rondam e me alimentam.
Por mais que eu negue, os sentimentos são os dominantes.
Todo dia é uma luta para lidar com a realidade.

A imagem que se forma é o desejo de paz e tranquilidade que eu tanto busco.
Se não fossem os artifícios, não poderia suportar tanta pressão.

Quisera eu viver para descobrir o mundo, conversar com pessoas simples, investigar o interior das pessoas. Isso me instiga muito e era uma satisfação quando eu podia fazer isso.

Hoje, eu me vejo em um isolamento voluntário. Tem volta?
Perguntas retóricas... Observações que vêm com as respostas embutidas.

Eu percebo minhas falhas, não as nego e nem procuro as justificar. O que busco é apenas me retificar. Talvez, o nível de auto exigência e essas buscas é que me fazem estar à parte. Ou eu me sinto tão diferente, ou as pessoas são tão iguais, tão previsíveis. Da minha previsibilidade, eu dou conta.

O importante, no final das contas, é perceber todos os instantes de nossas ações e reações, das nossas escolhas e consequências das mesmas.

Mas, isso não impede de sonharmos com os amores perdidos e achados novamente. Com quimeras literais e maravilhas. Com prazeres, dores ou vícios. Com avisos, preocupações ou expectativas.

E ter a chance de se arrepender, mas nunca querer voltar atrás para consertar nossos erros. Os erros devem ser retificados pelo nosso presente, nunca pela contemplação passada.

Nossa vida é uma sucessão de ciclos passados que se repetem? Em parte sim, porém sempre há tempo para rupturas para que deem lugar a novos ciclos mais perfeitos que os anteriores.

This is so for all.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Uma vida de trocas


Minhas novas experiências me fazem pensar do por quê da minha situação atual. São os compromissos assumidos com as outras pessoas. Se fosse por mim, hoje, eu estaria em outra situação.

É a ação e reação. Causa e consequência. Nossa imaturidade passada, nossa ignorância pretérita é que nos envolve na escravidão. Uma escravidão escolhida, logicamente.

Assumimos compromissos e sentimos o dever da responsabilidade. O ato de renunciar ao egoísmo e pensar no outro porque imaginamos que nesta renúncia está a chave para a felicidade.

O fato mais aterrador é o exagero que nos propomos quando não estamos conscientes do que ocorre à nossa volta. O excesso mais nocivo é quando deixamos de viver nossa vida para consertar a vida alheia. E no final, não vivemos e não consertamos nada!

Contudo, quando tentamos reverter nossas escolhas, nos deparamos com algumas afirmações:

- se optamos pela total ruptura de nossa responsabilidade pelos compromissos assumidos, estaremos sendo injustos com os outros. Invertendo a situação, não gostaríamos que ninguém fizesse isso conosco.

- se atravessarmos e cumprirmos nossos compromissos até o final, poderíamos realizar novas escolhas que nos colocasse no rumo que queremos em nossa maturidade (ou imaturidade) presente.

Assim, temos a dicotomia covardia-coragem.

Mas, voltando: o egoísmo, por outro lado, leva o ser para uma conduta anti-social e está na contramão do desenvolvimento do ser. É um retorno à animalidade ou ao estado de natureza.

Já o altruísmo é a ideia em que os seres inteligentes se servem para entrar no verdadeiro estado de sociedade.

O problema sempre é o excesso? No egoísmo, sim. No altruísmo não reconheço excesso.
A confusão ocasionada no exercício do altruísmo é que, na verdade, não conseguimos ainda prescindir dos nossos desejos em benefício do outro.

Mas, no início, eu afirmei que a escravidão a que nos submetemos é decorrente daquele exercício de desprendimento de nossos desejos. Pensando melhor, é porque na realidade não estamos sendo altruístas. Sempre estamos esperando uma contrapartida, uma recompensa por nossa "bondade". Estamos sendo, assim, egoístas.

Por fim, fingimos que estamos beneficiando o outro, quando na verdade, todas as nossas ações se voltam para nosso próprio benefício. A verdadeira rede de relacionamento é de troca. Permutamos sentimentos, impressões, pensamentos, objetos, sensações, etc.

Quando vamos entender que tudo neste Universo não nos pertence e só temos posse de nossa essência?

E que ao tomar posse do que não nos pertence em realidade é que nos torna escravos?





domingo, 22 de agosto de 2010

Eu preciso de você!


Como eu poderia existir se não houvesse ninguém mais no Universo? Se nem mesmo uma Força Superior fosse real? Apenas eu estivesse consciente. Não haveria nada que atestasse minha existência. Assim, para que tenha existência real, teria que haver algo além de mim e que seja tão consciente quanto eu, seja este superior ou igual a mim. Portanto, eu preciso e é necessário que haja você!

Para existir, presume-se então que todos precisam do outro para ter sua existência atestada. Mas e para ser? É necessário a presença do outro para que tenhamos uma identidade? Quando eu atesto sua existência, eu não sei o que se passa por dentro de ti. Apenas vejo seu exterior, assim como vejo uma pedra ou um objeto qualquer.

Basta isso para que eu te reconheça?

Quando investigamos um objeto inanimado, reconheço como inerte porque este não se comunica de nenhuma forma autônoma comigo. Porém, com os seres animados, se passa outra coisa. Se ele é desprovido de inteligência, mas provido somente de instinto, eu consigo interpretar sua animalidade, porém ele jamais atestará conscientemente minha existência ou tentará me investigar na minha essência. Isso caberá apenas ao ser que nomeamos de humano. Nós, humanos, temos essa capacidade de nos reconhecer, de nos atestar e até de nos investigar. Isso ocorre pelas faculdades que chamamos de linguagem e inteligência.

Se por um momento, temos nossa existência reconhecida, temos uma necessidade de investigar o outro que se assemelha a nós. Parece-nos que não é o suficiente que existamos simplesmente, mas que nós possamos ser capazes de identificar tudo isso através de um contato mais próximo, mais invasivo.

Pode ser por segurança, curiosidade ou uma busca de nossa própria compreensão: eu preciso de você!