segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Filosofando...


Se a razão faz o homem e é o sentimento que o conduz, como diria Rousseau, eu complemento que a razão serve para direcionar o homem também na interpretação do sentimento. As paixões quando não interpretadas de forma correta, levam-no a desastres emocionais complicados e intrincados. Somos campeões da justificação: isso acontece porque não há a correta leitura das emoções. Os sentimentos são importantes e não devem ser desprezados (como se isso fosse possível). Enfim, sentir, perceber e pensar... Pensar é justamente o tratamento necessário dos sentimentos para reforçá-los e enfraquecê-los quando preciso.

Mudando o foco: compreender o outro é extremamente difícil, se estivermos olhando para nosso próprio umbigo. Entendo que ouvir e dar sua atenção é criar um campo de empatia... Colocar-se no lugar da pessoa que ouvimos. Frequentemente, somos impelidos a fechar nossos ouvidos e projetamos nossa experiência pessoal (porque acreditamos que nossa vivência é mais rica que do outro?). Isso faz que os dados nos venham distorcidos e na devolutiva, falamos ao nosso interlocutor coisas que ele não quer ouvir ou que não é o retrato fiel da situação exposta... Aliás, ele não precisa ouvir de nós, ele precisa ouvir de si mesmo! E por que? Porque ele se ouvindo, pode processar as informações internas e tomar as decisões mais acertadas. Então, se há a empatia, há o perfeito entendimento do que se passa com o outro. Neste caso, sim, podemos até falar com propriedade. Nosso amigo vai ouvir como se estivesse se vendo...

Sobre nossos projetos: Sim! Nós podemos! O que? Podemos modificar e influenciar o mundo ao redor... Conforme nossa estatura, logicamente...
Vou tentar ser mais claro: de início, isso se dá em um campo bem restrito. Somos indivíduos em processo de crescimento. Conforme vamos crescendo em idéias e experiências, vamos ampliando este campo, tornando-nos mais seguros, mais certos, mais firmes, mais confiantes naquilo em que nos propomos a desbravar...
Quando iniciamos, nossa lavoura é bruta e selvagem. Com o passar do tempo e com muito trabalho, vamos limpando o terreno, aperfeiçoando nossas técnicas até que este revele finalmente os frutos desejados. O importante é nunca desistir e sim persistir!

Mais uma de amor: os pais são importantes em nossa formação. Aprendemos através de seus atos e pouco de suas palavras. Seus exemplos, sejam positivos ou negativos, são percebidos por nós e repetidos em nossas atitudes durante nossa vida. Assim, no campo afetivo, cabe-nos na nossa maturidade (sempre há um nível, conforme nosso desenvolvimento), repensar as atitudes negativas apreendidas e modificá-las em positivas. Por exemplo, a ruptura que sofri em minha família, refletiu e ainda reflete (mesmo que fracamente agora) nos meus atos atuais e pretéritos. Dessa forma, repensando posso dizer que não completamente, mas em alguns pontos, eu reverti a onda negativa. Noutros casos, nem precisei pensar muito: um senso de justiça e empatia me impeliu para a atitude correta e que não seria compartilhada pelos exemplos apreendidos. O segredo, talvez, seja deixar para trás nossos sofrimentos e tratá-los como histórias apenas. O segredo, talvez, perceber finalmente que somos seres individuais e que podemos escolher o caminho correto, ao invés de ficar macaqueando as experiências de nossos progenitores.

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