Como morador nascido em São Paulo, percebo como a falta de direcionamento do poder público e a exploração selvagem por parte do meio privado, faz com que um dia de chuvas torrenciais estrangule a cidade.
Desde criança, eu tenho interesse em conhecer a sua história e gosto de ver fotos antigas. O antigo colégio de jesuítas e atual metrópole que não pode parar é o retrato fiel do que não se deve fazer com uma cidade.
Se houvesse um modo de restrição de seu crescimento já na década de 1950, a cidade provavelmente seria do tamanho e população de Londres ou Paris.
Exemplos vemos nas avenidas centrais: um mosaico de estilos arquitetônicos (no cruzamento da Ipiranga com a Rio Branco, observamos prédios das décadas de 40 a 60, diferentes estilos) a tamanhos desproporcionais (edifícios de 4 andares contrastando com vizinhos de 8 e 12 andares). Na Sé, uma catedral "gótica" e duas igrejas em estilo colonial (não considerando o espelho d'água e o tribunal de justiça em estilo clássico). Nas periferias, bairros mais "nobres" cercados pela pobreza. A péssima escolha em transformar córregos em "canais-vias expressas" (e um dos motivos para que sofra a cidade com as chuvas). Exemplos, enfim, existem aos montes. E me deixa saudosista, apesar de não ter vivido na época das fotografias que tanto namoro... Se nos projetos de retificação dos meandrantes (Tietê, Pinheiros e Tamanduateí), houvesse o cuidado de cercar estes rios com parques e vegetação abundante, provavelmente não sofreríamos tanto com as enchentes...
Da mesma forma, os elevados que despersonificam as áreas ao redor, e que em favor do carro, trazem ou levam à pobreza, à desvalorização do ambiente e à queda da qualidade de vida nestes locais.
São Paulo: sua beleza está nas raras pistas do que foi seu passado e sua perdição na ânsia de chegar ao futuro através de um falso progresso.

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